Que informações nos dá um hemograma? Aquilo que sempre quis perceber

O hemograma compreende a contagem dos elementos figurados do sangue (eritrócitos, leucócitos, plaquetas e eventualmente reticulócitos) e o cálculo dos índices eritrocitários: volume globular sanguíneo médio (VGM), teor corpuscular médio em hemoglobina (CCMH) a partir do doseamento da hemoglobina e do hematócrito, o cálculo do número e percentagem das diferentes classes de leucócitos (fórmula sanguínea).

 

 

1- Leucograma

Na série branca é medido o número total de leucócitos por unidade de volume de sangue e a respectiva fórmula leucocitária.

O Cell Dyn está preparado para efectuar a fórmula sanguínea, apresentando a percentagem respectiva de cada uma das categorias de leucócitos por unidade de volume, a partir dos valores absolutos.

A série branca pode ser avaliada de forma quantitativa e qualitativa. A interpretação de uma fórmula sanguínea deve-se fazer a partir de números absolutos; as percentagens podem fornecer fontes de confusão.

No hemograma, além de muitas outras informações, podemos ser alertados para a possibilidade de presença de formas imaturas na amostra, que em rigor, necessita de ser comprovado com a realização do esfregaço respectivo.

A contagem dos leucócitos pode estar falsamente aumentada na crioglobulinemia, quando houver grupos de plaquetas, agregação induzida pelo EDTA e presença de eritroblastos. Pode ainda surgir afectada pela actividade física e por situações de stress, gravidez e certos medicamentos.

 

2- Eritrograma

Esta parte do hemograma permite fazer o estudo das alterações nos eritrócitos, na hemoglobina, no hematócrito, nos índices globulares e na morfologia eritrocitária.

O primeiro resultado fornecido pelo hemograma, no que respeita ao eritrograma é a contagem total de glóbulos vermelhos. Eritrocitose significa que existe um aumento da quantidade de eritrócitos relativamente aos valores normais.

Hematócrito

            O hematócrito apresenta um valor que exprime a proporção de eritrócitos no volume total de sangue. É expresso em percentagem. Um valor baixo pode ser causado por hemorragias, determinadas anemias, destruição de eritrócitos e deficiências nutricionais. Um valor elevado está associado à desidratação ou a um aumento desmedido dos eritrócitos, caso da eritrocitose e da policitemia.

Hemoglobina (HGB)

A hemoglobina é uma proteína dos eritrócitos que participa no intercâmbio gasoso a nível celular. A sua contagem permite detectar e controlar diversos tipos de anemia hemolítica ou a desintegração de eritrócitos. Os valores normais variam com a idade e o sexo.

Volume corpuscular médio (MCV)

A partir do número de eritrócitos, da taxa de hemoglobina, e do hematócrito é possível calcular índices globulares ou constantes eritrocitárias. Estes índices são fornecidos pelo contador automático mas podem também ser facilmente calculados quando da utilização de métodos manuais.

O volume corpuscular médio (MCV) é dado pela fórmula:

 

VCM= hematócrito/ nº glóbulos vermelhos

 

A sua determinação é útil para a orientação diagnóstica de anemias: microcíticas, normocíticas e macrocíticas. A presença de reticulocitose pode produzir um aumento do MCV. A ocorrência de hemaglutinina a frio pode levar a um falso aumento do MCV, uma vez que vários eritrócitos agregados são classificados pelo aparelho como um eritrócito de tamanho maior. Agrupamentos muito grandes (>360fl) não são contados, resultando num falso hematócrito baixo e aumento de hemoglobina corpuscular média (HCM).

Hiperglicemia acentuada pode gerar um falso aumento do MCV e do hematócrito e redução do CCMH, devido à entrada de água nas hemácias.

 

Concentração média de hemoglobina (MCH)

Este parâmetro exprime a quantidade de hemoglobina contida num glóbulo vermelho:

MCH= hemoglobina/ nº glóbulos vermelhos

Este parâmetro é mais sensível que a concentração corpuscular média em hemoglobina para avaliar a hipocromia. Aparece um MCH elevado em casos de macrocitose e reduzido na hipocromia. Pode ser afectado pela hiperlipidemia (falso aumento do nível de hemoglobina).

 

Concentração corpuscular média em hemoglobina (CCMH)

Este parâmetro exprime a quantidade de hemoglobina reportada ao volume dos glóbulos vermelhos:

CCMH= hemoglobina/ hematócrito

Define a concentração média dos glóbulos vermelhos em hemoglobina.

Algumas vezes acontece uma aglutinação dos eritrócitos pelas paredes do tubo, mas também quando certos resultados do hemograma se apresentavam algo aberrantes, como por exemplo, CCMH>36. Valores deste género não devem ocorrer, excepto na esferocitose, por perda de porções de membrana e desidratação do eritrócito. Nestes casos, pode também suspeitar-se da existência de aglutininas frias.

As aglutininas frias são auto-anticorpos antieritrocitários capazes de aglutinar os eritrócitos a frio. Fixam-se sobre as hemácias a uma temperatura entre 0 e 4ºC e aglutinam-nos até perto dos 20-25ºC.

Nestas situações os tubos são muitas vezes colocados na estufa a 37ºC durante cerca de 15 minutos. No caso de se tratar de aglutininas a frio, com a subida da temperatura, não ocorre a mesma aglutinação dos eritrócitos, deixando de aparecer o mesmo resultado aberrante.

É relevante salientar que grande parte das vezes, estas aglutininas a frio não possuem significado clínico importante pois podem aparecer em indivíduos normais títulos fracos de aglutininas frias. As aglutininas frias podem encontrar-se nos casos de linfomas, alguns adenocarcinomas, cirroses, sarcoidoses, etc..

Hipocromia (redução do CCMH) ocorre em patologias que levam à síntese anormal de hemoglobina. Na presença de esferócitos (visíveis em lâmina) ocorre elevação do índice.

Vários factores podem afectar os resultados da série vermelha: alteração do tamanho das hemácias, elevado número de leucócitos, hemodiluição (aumento da quantidade proporcional de água no sangue), desidratação, gravidez, hemorragia, medicamentos.

 

3- Plaquetograma

O método clássico para a contagem de plaquetas consiste na observação microscópica por contraste de fase (em câmara de Neubauer) que ainda é considerado como método de referência. Esse é um processo um tanto moroso e bastante impreciso por estar sujeito a erros subjectivos dependentes do pessoal técnico, representando contagens bastante variáveis.

No contador automático a contagem das plaquetas é feita por sistemas ópticos ou de variação de impedância, aumentando a precisão e minimizando o erro em situações extremas. Ele também permite avaliar a forma e tamanho das plaquetas.

Um dos parâmetros relacionados com as plaquetas, obtidos no hemograma, é o número de plaquetas por litro (PLT). Na contagem por impedância as plaquetas são seleccionadas em função do seu volume (de 3 a 30 fl).

Pelo sistema óptico as plaquetas podem ser lidas e identificadas em função das características de dispersão de luz laser lidas em dois ângulos diferentes 7º e 90º.

Os analisadores automáticos de sangue pelos métodos de impedância e óptico apresentam grandes dificuldades para diferenciar as plaquetas gigantes, os agregados plaquetares das outras células, nomeadamente eritrócitos pequenos, fragmentos de leucócitos ou outros.

Nos casos de trombocitopenia é aconselhável verificar se existem coágulos, para, em caso afirmativo, proceder a nova colheita, pois os coágulos podem deteriorar os canais do aparelho.

É ainda calculado o plaquetócrito que corresponde à percentagem do volume de plaquetas sobre o volume total de sangue. Há ainda o volume plaquetar médio (MPV) que corresponde a uma média do volume das plaquetas. Tal como na série vermelha, também no caso das plaquetas existe um parâmetro que mede o grau de variação de tamanho entre as plaquetas- distribuição do volume (MPW).

Com o tempo de exposição ao EDTA, as plaquetas podem aumentar de volume. Por vezes elas podem assumir uma disposição em volta dos neutrófilos (satelismo plaquetário), geralmente devido a uma imunoglobulinemia. Isto geralmente causa uma pseudotrombocitopenia e é potencializado pelo EDTA.

Na contagem de plaquetas, a hemólise e a lipémia são interferentes. Os valores podem também surgir alterados pelo exercício físico e medicamentos.

No hemograma, além destes elementos aparecem ainda:

 

4- Gráfico tamanho/complexidade que indica as populações leucocitárias presentes na amostra assinaladas com uma cor para cada uma.

5- Gráfico granulosidade/lobularidade que permite evidenciar as diferenças apresentadas entre os granulócitos por análise da luz despolarizada.

6- Histograma das plaquetas e dos eritrócitos permitem mostrar as diferenças entre a população de plaquetas e de eritrócitos e se estas populações apresentam uniformidade de tamanho.

Todos os dados deste exame devem depois ser confirmados com base na história clínica do paciente, e em caso de grandes incompatibilidades é necessário repetir o hemograma e proceder à realização de um esfregaço sanguíneo.

 

 

 

 

Quais as células maduras no sangue?

eritrocitos

 

Células maduras

 Eritrócitos 

 

Os eritrócitos encarregam-se de transportar oxigénio até às células e de remover o dióxido de carbono produzido por elas. Embora a contagem dos glóbulos vermelhos possa variar em função da altitude relativamente ao nível do mar, um número muito elevado pode ser indício

de doença cardíaca congénita ou de insuficiência do lado direito do coração. Um défice de eritrócitos pode dever-se a uma hemorragia, uma anemia, ou uma carência nutricional de ferro, ácido fólico e vitaminas B12 e B6. A sua forma e tamanho são também estudados.

            Dada a forma bicôncava do eritrócito, é comum observar-se ao microscópio a diminuição de cor no centro. Quando a diminuição de cor não se observa pode dever-se a uma alteração na sua forma.

Alterações dos eritrócitos

            Na análise do sangue periférico podem encontrar-se diversas alterações destas células.

            Variações do tamanho

            Microcitose

            É caracterizada por eritrócitos com tamanho inferior ao normal, normalmente esféricos. Possuem citoplasma mais basófilo que o normal.

            Macrocitose

            É caracterizada por eritrócitos com tamanho superior ao normal. É facilmente notada no hemograma se VCM >110 fL

            Anisocitose

            A sua ocorrência é visível no esfregaço pela presença de macro e microcitose ao mesmo tempo, sem predominância.

            Variações da Forma

            Poiquilócitos

            São eritrócitos que apresentam alterações da forma. Em casos de anemia grave, o excesso de plasma causa deformações ao ser feito o esfregaço.

            Eliptócitos

            Estes eritrócitos caracterizam-se por apresentar uma forma elíptica. Abundantes na eliptose hereditária e são vulgarmente encontrados em anemias ferropénicas, hemolíticas e megaloblásticas. Podem ser      encontrados em indivíduos saudáveis em proporções que não ultrapassam os 10%.

              Esferócitos

 Estes eritróesferocitosecitos são caracterizados por uma forma esférica, com diâmetro menor que o normal. Muitas vezes resultam da alteração genética da espectrina ou da agressão por anticorpos. Não possuem o halo central devido a uma concentração da hemoglobina causada pela diminuição da sua superfície. São encontrados na esferocitose hereditária, em alguns casos de anemia hemolítica adquirida e processos em que tenha havido lesão celular de origem física ou química.          

              Células em alvo

            Aparecem eritrócitos em forma de alvo, mais delgados que o normal, característico das talassémias. Aparece uma zona central e um rebordo periférico mais escura devido a um aumento da concentração da hemoglobina

              Esquitócitos

              São fragmentos celulares que indicam a presença de hemólise em anemias megaloblásticas e em queimaduras graves.

             Acantócitos

             São eritrócitos com extremidades aguçadas que lhes confere uma forma semelhante a uma estrela, vulgares em doenças hepáticas.

            Drepanócitos

            Célula em forma de meia lua, falciforme. Possui os extremos espiculados. Possuem uma Hemoglobina S polimerizada.

Alterações na Estrutura

            Ponteado basófilo

            Os eritrócitos apresentam grânulos azuis-escuros, de tamanho variável (ribossomas e mitocôndrias precipitadas).

            Pode ser observado em envenenamento com chumbo, exposição a algumas drogas, queimaduras graves.

            Corpos de Howell-Jolly

           São estruturas únicas ou duplas, pequenas e redondas, observadas como grânulos densos e de cor azul. Estão localizados excentricamente. Trata-se de restos de cromatina nuclear e indicam imaturidade do eritrócito. Podem ser observadas nas anemias hemolítica e megaloblástica.

             Anéis de Cabbot

             São pequenos anéis de cor negra púrpura, circulares, helicoidais ou em forma de oito. Podem ser microtúbulos que persistem do fuso mitótico ou restos de lisossomas através da exposição a agentes hemolíticos.

             Corpúsculos de Heinz

            Trata-se de pequenos corpos de inclusão intraeritrocitários, consequentes de uma hemoglobina desnaturada. Podem aparecer em indivíduos que apresentam hemoglobinas instáveis, talassémias ou enzimopatias eritrocitárias.

             Células em lágrima

            O nome destes eritrócitos provém da sua forma característica em lágrima. Estão presentes nos casos de mielofibrose, desordens mieloproliferativas, anemia perniciosa, talassémia, metaplasia mielóide e algumas anemias hemolíticas.

            Rouleaux

            É uma formação em “pilha de moedas”, consiste na sobreposição dos eritrócitos. Podem surgir na presença de aglutininas a frio e outros distúrbios hematológicos.

            Variações de Cor

            A variação de cor dos eritrócitos é essencialmente devida à presença da hemoglobina, que ocupa grande parte da célula. Assim a intensidade da coloração serve de indicador sobre a quantidade de hemoglobina das células. Segundo este critério, os eritrócitos são classificados em:

            Policromatófilos

            Estes eritrócitos podem apresentar uma cor acizentada devido à presença de resíduos de RNA. Com corantes específicos, podem ser mais facilmente visíveis, sendo designados por reticulócitos.

            Hipocrómicos

            São eritrócitos com deficiência na síntese de hemoglobina, apresentando menor quantidade que o normal. Há uma diminuição do halo central do eritrócito.

            Hipercrómicos

            Os eritrócitos apresentam níveis elevados de hemoglobina, sendo por isso visíveis com uma coloração mais carregada, com a zona central menos pálida.

  Linfócitos e monócitos

            Estes tipos de leucócitos apresentam algumas características comuns: núcleo simples, sem granulações no seu citoplasma. São formados essencialmente nos tecidos linfáticos, incluindo o baço e o timo.

            Os linfócitos são células esféricas ou ligeiramente ovaladas com um diâmetro de cerca de 8 a 12 ?m. O seu núcleo é redondo, muito basófilo, devido ao grande conteúdo em RNA e ocupa 90% da célula. Pode apresentar agregados de cromatina. O citoplasma é muito delgado e cora-se de azul claro (basófilo) formando um anel em torno do núcleo. Podem produzir grânulos de perforina. Constituem aproximadamente 30% do total de leucócitos.

            Os monócitos são células fagocíticas com grande capacidade bactericida. Por fagocitose aumentam de tamanho e podem fixar-se aos tecidos, dando origem aos macrófagos tissulares que formam o sistema retículo endotelial encarregado de remover o material estranho que circula no sangue.

            São os leucócitos de maior tamanho, oscilando entre 15 e 30 ?m, com um grande núcleo situado em posição central que apresenta polimorfismo, pode ser redondo, oval ou em formas mais excêntricas. A cromatina é densa, finamente reticulada. O citoplasma é abundante, levemente basófilo com granulações dispersas. Pode apresentar vacúolos. Normalmente, permanecem em circulação cerca de 3 dias.

                                                                                                                                             
  Granulócitos 

            Os neutrófilos, basófilos e eosinófilos são vulgarmente designados por polimorfonucleares, não possuem mais que um núcleo, mas apresentam 2 ou mais lóbulos. Além disso apresentam granulações no seu citoplasma, assumindo um aspecto característico quando observados ao microscópio- daí serem designados por granulócitos. Estes tipos de leucócitos são produzidos na medula óssea.

            Neutrófilos

            Os neutrófilos são importantes para a defesa do organismo de bactérias e outros microrganismos. Segundo a forma do seu núcleo podem se classificar em neutrófilos em banda e neutrófilos segmentados.

            Apresentam normalmente um núcleo com cromatina compacta, com 3 a 5 lóbulos unidos entre si por filamentos de cromatina, fortemente basófilo. Apresenta um citoplasma acidófilo, por vezes com grânulos, distribuídos irregularmente, de cor azul ou púrpura intenso. Representam cerca de 60-65% dos leucócitos.

            Quando o número de divisões é superior a 5 designam-se neutrófilos hipersegmentados.

             Eosinófilos

            Os eosinófilos têm actividade fagocítica. Têm grânulos com componentes para degradar as substâncias que incorporam. Tem um papel muito importante na parasitose.

            O eosinófilo modula e regula as reacções alérgicas. Representam cerca de 1a 3 % do total dos leucócitos. O citoplasma é ligeiramente acidófilo, por vezes não pode ser observado devido à presença de grande quantidade de grandes grânulos esféricos cor de laranja que o cobrem totalmente. O núcleo apresenta normalmente dois lóbulos, com cromatina densa. O seu nome deriva da afinidade dos seus grânulos pela eosina, nas colorações.

            Basófilos

            Os basófilos possuem grânulos de heparina e histamina. Estas substâncias são mediadores químicos que modulam a inflamação. Têm função nos estados alérgicos na hipersensibilidade. A libertação massiva dos conteúdos dos grânulos pode causar um choque anafiláctico que pode chegar à morte, se não for controlado.

            É o menos abundante, aparecendo em percentagem inferior a 1%. Possui um citoplasma acidófilo e está coberto por granulações grandes, irregulares, de cor negro-púpura que cobrem também o núcleo.

                                        
             Os granulócitos podem apresentar alterações como consequência de infecções, intoxicações ou outras condições patológicas. Podem aparecer:

            Granulações tóxicas, caracterizadas por uma coloração azul intensa ou negra do citoplasma. Surgem em leucócitos estimulados pela inflamação. Os granulócitos podem chegar à circulação com granulação primária, rica em enzimas.

            Vacuolização citoplasmática

            Corpos de Döhle, restos de RNA no citoplasma de neutrófilos como consequência de liquefacção do retículo endoplasmático. É sinal de infecção grave ou sistémica.

           Hipersegmentação, núcleos de neutrófilos com mais de 5 lóbulos. Pode significar a existência de um defeito genético, insuficiência renal crónica, anemia megaloblástica, quimioterapia, síndromes mieloproliferativas.

            Anomalia de Pelger-Huet, no caso do núcleo não ter uma segmentação adequada e apresentar apenas dois lóbulos.

            Hairy cells

            As “hairy cells” são caracterizadas pelos seus finos e irregulares pseudópodes e núcleo com características de imaturidade.

            Borrões

            Borrões são leucócitos que foram danificados durante a preparação do esfregaço de sangue periférico. Isto normalmente ocorre devido à fragilidade da célula. São muitas vezes vistos na leucemia linfocítica crónica.

Plaquetas 

            As plaquetas intervêm na hemostase primária por adesão à parede vascular lesada e formam um tampão para pôr fim a um processo hemorrágico. As plaquetas mais jovens são mais eficientes. As plaquetas envelhecidas, lesadas ou não funcionais são removidas da circulação pelo baço. Têm forma de um disco biconvexo com 2 a 4 ?m de diâmetro e 5 a 8 fl de volume. Contêm vários tipos de grânulos, que contêm factores plaquetários, fibrinogénio, reservas de ADP, ATP, cálcio, serotonina. Podem ainda conter catalase, fosfatase ácida.

            São formadas na medula óssea, no citoplasma dos megacariócitos e têm uma duração média de 10 dias. Existem em circulação entre 250000 e 350000 plaquetas por milímetro cúbico de sangue.

            Apesar de se tratar de células anucleadas, têm um metabolismo muito activo e geram ATP através da glicólise.

            Em certas patologias podem surgir plaquetas gigantes, indicativas de que existe uma produção acelerada por consumo excessivo. Podem também aparecer plaquetas dismórficas e restos de megacariócitos.