Os marcadores tumorais nos cancros digestivos

              Na monitorização de tumores localizados no tracto digestivo são usados com maior frequência determinados marcadores tumorais: alfa-fetoproteína, antigénio CA 19.9 e antigénio 72.4. Resumidamente vamos ver em que consistem e realmente qual o seu valor como auxiliar de diagnóstico.

alfa-Fetoproteína

            A alfa-fetoproteína é uma glicoproteína sintetizada pelo fígado com peso molecular 70 000 daltons, sendo a principal proteína do soro fetal, daí o seu nome. Passa ao sangue materno, onde a sua taxa máxima é atingida à 32ª semana de gravidez. Desaparece do soro do bebé no primeiro ano de vida. O reaparecimento no adulto observa-se nos casos de cancro do fígado ou do testículo, muito provavelmente devido à ausência de repressão do gene que codifica essa proteína.

            Trata-se de um importante marcador do hepatocarcinoma visto que se observa uma elevação permanente (> 400 ng/ml) em grande percentagem desses tumores. No entanto não constitui um meio de diagnóstico precoce do carcinoma hepatocelular. Observam-se grandes elevações nos casos de regeneração hepática importante, como a que sucede no decurso das hepatites crónicas e cirroses, na ausência desse tipo de carcinoma.

            Esta quantificação constitui um bom elemento de vigilância após excisão do tumor. Uma clara diminuição é indicativo de um tratamento eficaz, sendo novas subidas, possíveis indicadoras de recaídas. Mais uma vez a taxa de alfa-fetoproteína só deve ser considerada para acompanhamento terapêutico, em que a cura só pode ser confirmada se os valores voltarem aos considerados normais. A alfa-fetoproteína apresenta valores moderadamente elevados noutros tipos de cancro sem que se trate necessariamente de metástases hepáticas.

 Antigénio CA 19-9

            O CA 19-9 ou antigénio carbohidrato 19-9 é um antigénio circulante de peso molecular 36000 daltons, associado aos cancros do pâncreas e do cólon. Trata-se de uma mucina que possui determinantes antigénicos de hidratos de carbono repetitivos, na forma de pentassacarídeos. É sintetizado pelas células normais do pâncreas e dos ductos biliares, bem como por células epiteliais do estômago, cólon, endométrio e glândulas salivares.

É reconhecido por um anticorpo monoclonal de cobaias imunizadas contra um extracto celular de adenocarcinoma do cólon humano. O anticorpo reage com um oligossacarídeo hapteno do grupo sanguíneo A de Lewis. Está por tanto ausente nos indivíduos Lewis negativos.

            O doseamento é por ensaio radioimunológico. Pode constituir um marcador do cancro do pâncreas. Observam-se igualmente taxas elevadas em caso de pancreatite crónica e sobretudo de colestase, benigna ou maligna. Trata-se de um meio eficaz de vigiar a evolução após a ressecção do tumor. É um marcador de cancros colorrectais, mas com uma sensibilidade menor.

 Antigénio 72.4

            O antigénio 72.4 é uma glicoproteína com peso molecular de 400 000 daltons que ocorre em células epiteliais presente nos carcinomas gástricos. Trata-se de um marcador de 2ª escolha no carcinoma ovárico. Este ensaio pretende efectuar a detecção no soro do doente da glicoproteína associada a tumores, TAG 72, do tipo mucínico.

            Estes anticorpos reagem em carcinomas da mama, do cólon, carcinoma de células não pequenas do pulmão, endométrio, pâncreas e estômago, etc. Pode surgir aumentado em casos de pancreatite, cirrose, doença pulmonar, doença reumática, ginecológica e desordens gastrointestinais benignas.

            Existe uma correlação entre o estado da doença e o grau de elevação deste marcador. Em certos casos, tem por isso valor prognóstico em casos de cancro do estômago. Em carcinomas colo-rectais o valor do marcador permanece elevado enquanto existirem resíduos do tumor.