A reacção para o doseamento de proteínas específicas

            A quantificação das proteínas é baseada na quantidade de precipitado formado pela reacção específica antigénio-anticorpo. A relação entre a quantidade de antigénio e o sinal medido, a uma concentração de anticorpo constante, está demonstrada na curva de Heidelberger-Kendall.

            Nos casos em que as reacções antigénio-anticorpo não permitem a formação de imunocomplexos suficientemente grandes para serem mensuráveis na preparação, é utilizado uma reacção em partículas de latex, num esquema apresentado (fig.)

 

                      Este tipo de reacções é usado no nefelómetro para o doseamento de factores reumatóides, proteína C-reactiva e título de antiestreptolisina.

Doseamento de diversas proteínas de inflamação

Doseamento de Factores reumatóides

Os factores reumatóides são auto-anticorpos dirigidos contra imunoglobulinas. São geralmente anticorpos de classe IgM. Provavelmente desenvolvem-se no organismo para ajudar na remoção de imunocomplexos da circulação, produzidos por linfócitos B.

A sua pesquisa é mais frequente na confirmação de um diagnóstico clínico de poliartrite reumatóide. O seu título está globalmente correlacionado com o grau de destruição articular. Estes anticorpos encontram-se em doenças muito diversas, sendo policlonais nos casos de conectivites (lúpus, …), e de doenças infecciosas (mononucleose, hepatites crónicas,…). São monoclonais nas síndromes linfoproliferativas (LLC, linfomas, …) e nas crioglobulinemias mistas de tipo II. No entanto pode surgir em indivíduos sãos, uma vez que o seu título aumenta com a idade.

A presença de factores reumatóides em muitas patologias limita a sua especificidade, assim como a sua sensibilidade. Daí ser usado em populações com suspeita de poliartrite reumatóide.

Os níveis séricos de factores reumatóides não se alteram rapidamente, logo não podem ser usados para seguimento da actividade da doença. São doseados no nefelómetro por reacções em latex; considerando como valores normais os valores inferiores a 20 UI/ml.

 

Doseamento de título de ASO

            O doseamento das antiestreptolisinas O já foi referido anteriormente, no sector de química clínica através da sua determinação por técnica manual.

Os estreptococos do grupo A produzem duas hemolisinas (responsáveis pela hemólise que rodeia as colónias de estreptococos no meio sanguíneo). A estreptolisina O, é antigénica e provoca a síntese de anticorpos facilmente titulados. O valor normal deste título não é nulo porque as infecções por estreptocos são frequentes e repetidas desde a primeira infância.

Considera-se que um título moderadamente elevado não traduz uma infecção recente. Títulos mais elevados são indicadores fortes de infecção estreptocócica. No entanto, para a confirmação do diagnóstico é necessário repetir o doseamento com certo tempo de intervalo e comparando os resultados dos dois testes.

Como para qualquer resposta com anticorpos, existem variações individuais, mas na maioria das infecções por estreptococos A ocorre um aumento significativo das ASO, aumento esse que pode ser impedido pela diminuição da resposta imunitária por tratamento antibiótico precoce. A actividade deve ser inferior a 125 UI/ml.

 

Doseamento de Proteína C reactiva

            A PCR é uma proteína não glicosilada libertada em resposta a citoquinas solúveis produzidas principalmente pelo sistema reticulo-endotelial.

A proteína C reactiva mede o grau de inflamação, parte da reacção imunológica que protege o organismo de infecções. Contribui para a resistência do organismo a estas situações, limita o processo destrutivo iniciado e permite a resolução do processo e a sua recuperação. Pela ligação a resíduos resultantes do grande dano celular, esta proteína pode activar a via clássica do complemento. É considerada um mecanismo de defesa primário do organismo.

            Os níveis de proteína C reactiva flutuam de dia para dia, e aumentam com a idade, pressão arterial, tabaco, consumo de álcool e cafeína. Aparecem aumentados também com triglicerídeos elevados, dieta rica em proteínas e resistência à insulina na diabetes. O seu valor não é afectado pelo consumo de fármacos. A única situação clínica que limita a utilização da PCR é o dano hepático, uma vez que é lá que se dá a síntese desta proteína.

Tradicionalmente a quantificação da PCR é usada para monitorizar processos inflamatórios: infecções virais e bacterianas; doença de Crohn ; artrite reumatóide.

            Alguns estudos referem a implicação da PCR na patogénese da doença arterial coronária (Chen, 1999). É considerado como cut-off o valor 0,5 mg/dl.