O que são marcadores cardíacos?

O protocolo cardíaco consiste na quantificação de CK-MB, troponina e mioglobina.

O doseamento da CK-MB ajuda ao diagnóstico de enfarte de miocárdio. Esta isoenzima é relativamente específica, podendo surgir aumentada depois de traumatismos esqueléticos e em processos inflamatórios. A isoenzima CK-MB possui uma massa molecular de cerca 87000 daltons.

A CK eleva-se normalmente à 4ª hora ao mesmo tempo que as transaminases, e atinge o seu pico entre a 24ª e a 48ª hora, voltando ao normal depois desse período enquanto a LDH permanece elevada durante mais tempo.

A quantidade de enzimas libertadas está relacionada com a dimensão do enfarte. Na ausência de enfarte, a repermeabilidade de uma artéria coronária por dilatação angiográfica é seguida durante 1 a 3 horas de uma elevação das CPK.

A CK-MB pode sofrer elevação importante em caso de desfibrilação.

Quando o tecido cardíaco sofre isquémia, começam a aparecer no sangue as isoenzimas MM e MB da CK. A isoforma que aparece no sangue é a CK-MB2 que vai sofrendo as reacções metabólicas e se converte em CK-MB1. Este doseamento pode ser afectado pela presença de bilirrubina e soro hemolisado, causando uma depressão dos valores.

A troponina é uma proteína que pertence ao complexo do aparelho contráctil miofibrilar do músculo estriado, ligando-se ao filamento de actina, que regula a força e a rapidez da sua contracção. Existem três diferentes troponinas codificadas por três genes diferentes: troponina C, troponina I e troponina T.

A troponina I possui uma isoforma cardíaca, diferente da isoforma muscular. A troponina I cardíaca, com 22,5 kDa possui uma sequência adicional de terminal-N e possui elevada especificidade para o miocárdio. A sua função consiste em inibir a interacção da actina com as cabeças de miosina.

Quando ocorre a isquemia do miocárdio, a destruição da membrana do miócito permite a sua passagem para o sangue. Trata-se por isso de um dos melhores marcadores biológicos de enfarte do miocárdio, devido à sua especificidade, muito superior à das CK-MB. Em caso de enfarte a troponina I eleva-se antes da CK-MB, pela quarta hora e essa elevação persiste durante mais tempo do que a das LDH, permitindo um diagnóstico retrospectivo durante dez dias. Este é um marcador sensível para o enfarte de miocárdio.

A mioglobina é uma proteína de baixo peso molecular, com algumas semelhanças com a hemoglobina, mas difere desta pois a globina comporta apenas uma única cadeia polipeptídica e porque o heme é formado por protoporfirina 9. É libertada muito precocemente na circulação em caso de enfarte de miocárdio, difundindo-se rapidamente através do sistema vascular.

A mioglobina constitui hoje o marcador mais precoce do enfarte do miocárdio. O pico de mioglobinemia situa-se pela 6ª a 9ª hora e é de curta duração: desaparece em menos de 24 horas, dada a sua rápida eliminação a nível renal. Como esta proteína é rapidamente eliminada, a sua concentração pode indicar fiavelmente um segundo enfarte.

A mioglobina não é totalmente específica de necrose do dano do miocárdio, podendo estar elevada depois de traumatismos, exercício físico e em pacientes com insuficiência renal, dado que a mioglobina participa no metabolismo aeróbio em células do músculo cardíaco e esquelético.

Possui uma elevada sensibilidade e excelente valor preditivo negativo para necrose miocárdica. Assim será de maior valor prognóstico utilizar uma combinação de marcadores com este efeito, sendo a melhor combinação: mioglobina, CK-MB e troponina. A sua determinação isolada tem pouco valor prognóstico devido a uma especificidade um pouco limitada.

Existem diversas técnicas que permitem dosear esta proteína, sendo neste sector usada a radioimunologia.

Em caso de suspeita de enfarte, nas primeiras 4 horas é mais adequado fazer o doseamento da mioglobina, enquanto depois desse tempo é a troponina e CK-MB os melhores marcadores.

Tabela 5 Marcadores cardíacos

 
Início da elevação
Pico Retorno à normalidade

Mioglobina

1ª a 3ª hora 6ª hora 24 horas

Troponina

3ª a 12ª hora 24ª hora 5 a 10 dias

CK-MB

3ª a 12ª hora 48ª hora 48 a 72 horas

LDH

10ª hora 48ª hora 10 a 14 dias

 

O peso molecular e a distribuição celular dos distintos marcadores cardíacos faz com que estes apareçam no sangue com velocidades e intensidades diferentes condicionados à curva evolutiva dos marcadores no dano cardíaco.

Torna-se evidente que cada marcador possui as suas vantagens e desvantagens. Este facto motivou a determinação seriada de 2 ou mais marcadores para o diagnóstico do síndrome coronário agudo. A utilização de marcadores de conjugação permite um aumento da especificidade e sensibilidade na monitorização de doentes neste e noutros protocolos.

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